Senta que lá vem resenha: Livro A Grande Ilusão

quarta-feira, agosto 02, 2017

Livro: A Grande Ilusão
Autor: Harlan Coben
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
Tema: Suspense, mistério, policial


Sinopse:  Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha de 2 anos brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes. Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas. 

Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos com os próprios olhos, mesmo quando é algo que desejamos desesperadamente? 

Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.









"O fantasma da morte te persegue, Maya."

Também não era para menos. Maya Stern é uma ex-capitã do exército e passou sua vida servindo o país em missões no Oriente Médio até que conheceu Joe Burkett em uma das raras vezes em que esteve em solo nacional. Se apaixonaram e logo se casaram e tiveram uma linda filha chamada Lilly. Mas realmente o fantasma da morte a perseguia pois, quatro meses após a morte da irmã Claire, o cadáver da vez era Joe.

Após um enterro conturbado e ter que lidar com a burocracia da família Burkett, Maya finalmente volta para casa e eis que é indiciada por um detetive de Nova York para prestar seu depoimento sobre o assalto que se transformou em uma fatalidade, tirando a vida de seu amado marido. Confrontada não apenas com a morte repentina dele, como também de sua irmã e a possível sensação de alucinação, Maya vai atrás dos culpados e começa a investigar por conta própria sobre esse mistério. Ela só não esperava que o cerco se fecharia contra ela, tirando-lhe tudo.

"Torcia o nariz para muita coisa que lia ou ouvia sobre a experiência de ser mãe, mas não para aquilo, não para aquele sentimento que a acometia quando olhava para a menina, quando o mundo à sua volta se apagava para dar lugar apenas ao rostinho dela. Isso ela compreendia muito bem."

Com uma leitura fluida vamos acompanhar a nova rotina de Maya em relação a morte do marido que já morre na primeira página do livro, não deixando espaço para o leitor sequer respirar. Somos sugados para o meio da tempestade onde nada é o que parece e tudo pode ser possível, mas tenha cuidado! Há sérios riscos de se enganar lindamente pelos acontecimentos.

A vida de Maya toma proporções que nem ela mesma esperava que acontecesse. Como se não bastasse lidar com as mortes do marido e da irmã, ela sofre flashbacks do atentado que custou sua carreira militar. Somado isso ao fato de ver o marido vivo em uma gravação um dia após o enterro do mesmo. E quando ela acha que está a ponto de enlouquecer, se depara com questionamentos que até então nunca lhe passaram pela mente a respeito das possíveis fraudes que a família Burkett estaria envolvida.

"Dizem que não é possível enterrar o passado. Talvez seja verdade, mas o que isso significa de verdade é o seguinte: os traumas do passado reverberam e ecoam até o presente e assim permanecem vivos."

A família Burkett, berço de Joe, é como se fosse um clã, que se une e se fecha para proteger os que são seus, vendo os de fora (até mesmo agregados que entraram pelo casamento por exemplo) como forasteiros e possíveis ameaças. Uma clássica família britânica onde se nomeia até mesmo as residências deles como era feito no tempo da aristocracia.

Coben nesse livro se mostra um exímio mestre do crime e do mistério, levando o leitor a criar teorias da conspiração para chegar no final e rir bem da nossa cara. O autor nos conduz a um maravilhoso plot-twist, de uma forma que não deixa pistas para imaginações. Acredito que esse tenha sido o melhor livro que li dele até agora.




"As coisas podiam ser ditas mais tarde, mas, uma vez ditas, não havia caminho de volta."

À medida que Maya vai descobrindo novas pistas, o leitor se pega duvidando da sanidade da personagem mas que mesmo não dando o braço a torcer que avançar na história, ir até o final só para ver no que vai dar. É o que o efeito Coben causa nas pessoas, ele nos faz desacreditar da vítima.

Mesmo com todas as tragédias, Maya é uma mulher forte, de fibra, que não se deixa levar e que ao decorrer da história acaba surpreendendo e muito.

"As mentiras não morrem nunca. Você até pode tentar sufocá-las, mas elas sempre encontram um jeito de voltar à vida."

O final não poderia ser mais inimaginável, imprevisível possível. Bati cabeça tentando desvendar todas as informações e fui surpreendida com uma reviravolta impressionante, conduzida com maestria, para não deixar nada a desejar. O autor é tão brilhante que mesmo após anos de carreira consegue se reinventar. Isso é uma das características que eu mais admiro nele.

Com capítulos curtos e terminando cada capítulo com vontade de ler logo o que vem a seguir a história toma seu rumo, nos prendendo e fazendo ansiar por mais.

"Dinheiro comprava privacidade. Dinheiro comprava cercas. Dinheiro comprava diversos níveis de isolamento. Dinheiro comprava os confortos do mundo urbano, junto com a segurança dos condomínios fechados dos subúrbios. Dinheiro (muito dinheiro) comprava escolas como aquela. Quanto mais dinheiro, mais as pessoas procuravam se proteger nos intestinos de um casulo."

A edição está impecável como sempre, sem erros ortográficos ou gramaticais. Digna de um trabalho da Arqueiro mesmo!

No mais recomendo a obra para todos aqueles que querem sair da zona de conforto e serem surpreendidos, tomarem uma rasteira e acordarem para vida, pois nada nunca é o que parece e às vezes a resposta para determinada situação pode ser mais simples do que você imagina.







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3 comentários

  1. Olá!!

    Eu amo Harlan!!! E se esse é o melhor dele, preciso ler urgente!!
    Verdade, mesmo depois de anos, o autor sempre consegue inovar e surpreender.
    Adorei a premissa, e mesmo antes de ler já fiquei pensando aqui o que poderia ser com Maya.
    Ótima resenha e mais um para minha lista!

    bjs

    http://www.condutaliteraria.com/

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  2. Oi Camila.
    É ótimo quando o livro não tem um final previsível e nos surpreende.
    Também acho que capítulos curtos são uma boa forma de fazer com que a leitura seja mais rápida e queiramos ler o próximo imediatemente.
    Abraços.

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  3. Oi Camila.

    Estou com muita vontade de ler esse livro, pois eu li apenas um livro do autor e gostei demais. A sua resenha é a primeira que leio a respeito dessa história e seu ponto de vista foi bem interessante. Vou tentar lê-lo o mais breve possível.

    Bjos

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